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Notícias | Brasil
17.07.2017 - 08h14 | Correio da Paraíba
Voluntários dão banho de amor em moradores de rua
 
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Você já tomou banho hoje? Se a resposta for negativa, muito provavelmente o motivo foi sua própria vontade. Mas a verdade é que no dia de hoje, você talvez já tenha passado por debaixo de uma ‘cachoeira particular’ no banheiro de sua casa. Um hábito simples. Muitas vezes rápido. Mais vezes ainda, automático. Porém, para quem não dispõe dessa oportunidade diariamente, o banho ganha um significado diferente. “É a melhor hora da minha semana. Depois desse banho, eu nem pareço eu”, diz Roberto Ferreira Soares, de 32 anos, que mora na rua há 12 anos, após sair do chuveiro do projeto ‘Banho da Misericórdia’, da Comunidade Católica Filhos da Misericórdia (CFM) que promove um momento de limpeza física e espiritual a moradores de rua da capital.

O projeto surgiu em dezembro de 2016 e consiste em levar dignidade e limpeza a moradores de rua, além de alimentação. A estrutura é formada por uma caminhonete ligada a uma carreta com dois boxes, um feminino e um masculino. No veículo é colocado um depósito com quatro mil litros de água que rende aproximadamente 50 banhos. Além disso, existe um resistor ligado a um gerador de energia que esquenta a água que chega aos chuveiros dos boxes. Ao sair, os moradores de rua recebem toalhas, escovas de dente, desodorante, barbeadores, absorventes e roupas novas.

Por fim, os ‘irmãos de rua’, como são conhecidos, são convidados a jantar as quentinhas preparadas pelos voluntários previamente, com o mínimo de dignidade que um ser humano precisa: sentado em uma mesa. Prazer que poucos desfrutam normalmente. Todas as terças-feiras a caminhonete desembarca na Avenida B. Rohan, próximo ao antigo Correios e Telégrafos. Às quintas-feiras, o banho segue para o Mercado do Peixe, em Tambaú, e no sábado, o banho acontece no Bompreço de Jaguaribe, na Avenida João Machado.

O relato que o leitor está prestes a conhecer se sucede após dois dias de aprofundamento no projeto da CFM. Através da história de alguns personagens que fazem parte desta obra, você entenderá o que move cada pessoa, como a água do ‘Banho da Misericórdia’ tem a capacidade de limpar o coração dos moradores de rua e principalmente, de entender quem realmente sai ganhando em toda essa história. E nosso papo começa com dona Masé.

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'Mãe Masé', a doadora de amor

Meu primeiro contato com o projeto foi no ponto da terça-feira, próximo aos Correios e Telégrafos, região conhecida como ‘cracolândia’. Ao descer do carro, confesso que esperava ser recebido em um ambiente hostil, mas encontrei mesas postas na calçada, muitas luzes, pessoas conversando e interagindo. Logo me senti à vontade. Em todas as conversas paralelas que espiava, era possível ouvir o nome “Dona Masé”, então, após breve procura, encontrei a dita cuja. "O maior salário que eu recebo na minha vida é esse serviço, não há nada mais importante do que você chegar diante deles, e eles dizerem que eu sou a mãe deles e agradecer pelas simples coisas que eu faço. Essas quentinhas que sirvo não saem nem do meu suor. O pessoal doa e gente traz. Então eles ficam muito agradecidos. A gente pensa que é pouca coisa, mas para eles é o máximo. Eles pegaram esse amor a mim por conta disso e estou correspondendo. Seria ingratidão minha não corresponder a isso. A primeira pessoa a ser beneficiada sou eu”.

 
 
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