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Notícias | Mundo
06.12.2017 - 10h15 | Eldení Alves
Reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel por Trump é criticado até mesmo por aliados dos EUA
 
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O presidente americano, Donald Trump, decidiu reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e iniciar o processo de transferência da embaixada dos Estados Unidos da cidade de Tel Aviv para lá, segundo disseram membros da sua administração. Um anúncio oficial pode ocorrer em breve.

A decisão é polêmica e provocou reações negativas inclusive de países aliados dos EUA no Oriente Médio, como a Arábia Saudita e o Egito. Até mesmo o papa Francisco se manifestou pedindo que o status atual seja mantido.

O reconhecimento agrada a Israel, mas líderes árabes e palestinos alertaram que causará prejuízos no processo de paz. 

Jerusalém abriga vários sítios sagrados não apenas para o Judaísmo, mas também para o Islã e o Cristianismo. Enquanto Israel considera a cidade como sua capital, os palestinos dizem que Jerusalém será a capital do futuro Estado Palestino.

Justamente para garantir a eficácia dos diálogos de paz no Oriente Médio é que a comunidade internacional nunca reconheceu a soberania de Israel sobre a cidade. As embaixadas, por exemplo, estão todas localizadas em Tel Aviv.

'Ameaça à paz'

Aliada dos Estados Unidos, a Arábia Saudita classificou a decisão de Trump de uma "flagrante provocação aos muçulmanos de todo o mundo".

O representante dos palestinos no Reino Unido, Manuel Hassassian, disse à BBC que a medida será o "beijo da morte" nas negociações de paz baseadas no reconhecimento de dois Estados (um israelense, que já existe, e um palestino, que ainda não foi criado, embora seja uma demanda histórica do mundo islâmico).

O Egito, outro aliado dos EUA, também se opôs à decisão. O presidente, Abdul Fattah al-Sisi, fez um apelo para que Trump "não complique a situação na região".

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, infirmou que o país pode vir a cortar laços com Israel. O rei da Jordânia, Abdullah 2º, disse por sua vez que a decisão do presidente americano "prejudicará os esforços para a retomada do processo de paz".

O líder do Hamas, Ismail Haniya, convocou a comunidade muçulmana a fazer protestos na sexta. Já a China alertou para uma escalada da tensão no Oriente Médio.

A preocupação com a desestabilização da região chegou também ao Vaticano. O papa Francisco pediu que o "status quo" seja respeitado e destacou que o diálogo só irá prosperar "com o reconhecimento dos direitos de todos os povos da região".

Na comunidade europeia, a decisão também foi mal recebida. A encarregada de política externa da União Europeia, Federica Mogherini, disse que qualquer ação que possa prejudicar um eventual acordo de paz entre israelenses e palestinos "deve ser absolutamente evitada".

O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, disse ver a notícia sobre a decisão de Trump "com preocupação".

O presidente da França, Emmanuel Macron, teria alertado a Trump, por telefone, que reconhecer Jerusalém como capital de Israel seria má ideia - e que a questão deve ser resolvida por meio de negociações entre israelenses e palestinos.

Já o ministro da Educação de Israel, Naftali Bennett, pediu que outros países sigam o exemplo de Washington. "Jerusalém sempre foi e sempre será a nossa eterna capital."

 

Por que tanta polêmica?

No conflito entre Israel e palestinos, o status diplomático de Jerusalém, cidade que abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, é uma das questões mais polêmicas e ponto crucial nas negociações de paz.

Israel considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível. Mas os palestinos reivindicam parte da cidade (Jerusalém Oriental) como capital de seu futuro Estado.

A posição da maior parte da comunidade internacional, e dos Estados Unidos até então, é a de que a situação de Jerusalém deve ser decidida em negociações de paz. Os países mantêm suas embaixadas em Tel Aviv, a capital comercial de Israel.

Em 1947, quando a Assembleia Geral da ONU decidiu pelo plano de partilha da Palestina entre um Estado árabe e outro judeu, Jerusalém foi designada como "corpus separatum" (corpo separado), sob controle internacional. O plano, porém, não chegou a ser implementado.

Em 1948 foi declarada a Independência do Estado de Israel e, logo em seguida, a guerra árabe-israelense. Ao final daquele conflito, Jerusalém foi dividida, com a parte ocidental sob controle de Israel e a parte oriental controlada pela Jordânia.

Em 1967, Israel capturou a parte oriental da cidade e, desde então, vem construindo assentamentos em Jerusalém Oriental. Esses assentamentos são considerados ilegais pela comunidade internacional, posição que é contestada pelo governo israelense.

"O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel seria uma mudança na política adotada pelos Estados Unidos desde a criação do plano de partilha pela Assembleia Geral da ONU", explica o especialista em Oriente Médio Fayez Hammad.

"Desde a criação do Estado de Israel no ano seguinte, os Estados Unidos nunca reconheceram a soberania de Israel em Jerusalém Ocidental ou da Jordânia em Jerusalém Oriental (até 1967)", ressalta Hammad.

 

 

BBC - Brasil

 
 
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